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Diálogos

Posted by: Luziel / Category:

Eu reli muitas vezes a história de nossas vidas em meus pensamentos, e o quão bela ela foi e o poderá ser. Foram várias vidas que se confluíram em uma só existência, em um momento divino, em que as almas necessitavam obrigatoriamente se encontrar. Iniciarem-se, surgir entre a lama do mundo, plantar e cultivar toda flor que nascer no meio do lixo, como o fomos.

A confiança nunca é quebrada, são as atitudes que sufocam a confiança, que impedem ela de nascer. Talvez, por esse tempo de conflitos, de alguma forma, nem mesmo as flores, por nós cultivadas, puderam nascer no lixo. Nem eu pude protegê-las sozinho, nem mesmo quando o meu regador viu-se seco e eu tive que derramar lágrimas.

Depois, eu descobri que as pessoas arrancam seu próprio coração e colocam no peito qualquer outra coisa, que lhes sirva de alimento ou de pretexto para não sentir dor. E as flores que plantamos juntos, deixam de ser do cuidado de todos e tanto mais nos afastamos, mais lixo guardamos para jogarmos uns nos outros. E assim, transformar a vida num campo de concentração, em que na medida em que alguns se tornam fortes ou vêem-se assim, mesmo estando em mesma condição, oprimem-se.

E se agora me perguntar, se uma história terminou e por que um período de conflitos não devesse ser lembrado. Primeiro diria, que nada terminou, seguidamente diria que devemos lembrar os conflitos. Mas você deveria mostrar-me, imediatamente, que sempre guardou as sementes, para quando se visse afogada em lixo, pudéssemos revirá-lo procurando aquilo que nos servisse para um vaso. Para que juntos pudéssemos plantar a flor que um dia nasceu, viveu e morreu.

Não trate algo que ainda existe, como algo morto. Como se a fonte de todas as culpas nos sufocasse a atitude, e de repente, fraudássemos a vida com comodismo. Longe ou perto, a mesma canção toca duas vidas. Ainda que sem talento e sem rítimo, nós vamos dançar. E mais uma vez vamos desejar sermos capazes de cultivarmos as flores no meio do lixo. E se entenderes isso, saberá o que existe dentro de mim e o que te dei no meu último abraço.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Métrica

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Em cada palavra, vejo metricamente o seu desejo.
e teu corpo encostar-se, no meu como brisa,tão leve...
Para fazer-me carinhos de modo que eu não perceba.
Olha de longe, com coração gritante de amor.
Você queria ver o mundo sumir à nossa volta,
de modo, que só restasse nós dois,
para ter uma reação que ninguém visse,
e também, provar e provocar a minha.
Não há como esconder amor, nem com o peito vazio,
nem com ele tomado de paixão.
Amar, não é atitude de deixar a vida,
como o ato de esconder a genitália entre as pernas.
É corpo em águas e desejo constante.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Suplício

Posted by: Luziel / Category:

Suplício, eu vejo o teu...
Cada detalhe explícito, assim como é.
Assisto mentes fracas e poluídas olhando para isso com zelo.
É um modelo moderno, é a forma mais social de vida.
Isso é tecnologia de ponta nos corpos,
é massacre regado a diversão de circo.
É biopoder, fórmula normativa.

Entranhas que se copiam entre as máquinas.
Cidadãos constituídos em táticas de guerra,
que se crêem com civilidade e são máquinas de terror.
São meros, que não mais se entendem como mortais,
querem ser efetivamente mortais, letíferos e nocivos.

Não querem repudiar a violência,
querem praticá-la, querem reproduzi-la.
E têm como fracos os que se negam.
Não há espaço para “sobras” e para minorias,
Também não há ninguém especial, nem com necessidade de ser.
Mais um pouco e Hitler venceria.
O mundo só é pensado para pessoas “normais”.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Frenesi Realista

Posted by: Luziel / Category:

Não vamos encher os ouvidos dos santos de promessas,
nem deixaremos tudo que é de nosso dever para Deus.
Não façamos da desgraça o maior motivo de júbilo,
como hoje se vê no mundo.
Paremos de somente desejar as coisas,
sem aplicarmos na luta esforço algum.
Nem toda dor é tão cara, que não compense uma conquista.

O mundo é uma coisa só transformada, enquanto as pessoas são duais;
e quando se cansam invertem os papéis.
Algo muito além da gravidade, as mantêm numa antítese de pólos...
Nem claridade, nem escuridão...
Eu quero a emoção da luz do luar,
Eu quero o aperto no peito que ninguém quer sentir.

Chega dessa somatória de experiências tão conveniente,
crida por ti como vacina para o erro.
Abandono essa profilaxia medíocre.
Deixo esse castelo que não dá coroa de rei ou rainha,
só uma etiqueta roída e simplória.
Quero apenas intuição, para olhá-la sem vê-la como natureza morta;
ou como carnes dividas entre seios e glúteos.

Cansei-me de construir paredes que caem sob o meu cimento malfeito;
crendo no orgulho empirista de minhas próprias mãos.
Lance teus beijos ao ar e construiremos amor,
e aquele que respirá-los, encherá os pulmões de vida.
Onde vivi, quando as luzes se apagavam, as velas se acendiam...
Por isso te peço para plantar amor em qualquer lugar.

O sofrimento não dura somente um pedaço da vida,
ele a despedaça aos poucos.
Este é um mundo encantador onde tudo se mistura, e só,
e somente só, o feio e o bonito aparecem, infelizmente.
O resto vira resto, e some,
ou se transforma em muro invisível em nossa vida anestesiando a consciência.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Onde estão as suas idéias

Posted by: Luziel / Category:

Ora, antes de mais nada, não seria de estranhar que desde a mais tenra idade em alguma ocasião somos obrigados a fingir ou forçar determinados comportamentos. Somos criadores ou somos uma criação - uma seqüência reprodutora das coisas para a qual fomos feitos? Ou somos uma convergência de ambos os lados? Espere, fingir não implica em dizer que somos. Entretanto, a aquisição do hábito de agir forçadamente pode-nos explicar muito acerca disto, como o quanto é dificultoso para nós a aceitação da identidade do outro. Desde então, passamos a ser um reduto de animalização, subversivos à autêntica natureza humana. Bom, então devo agora seriamente dizer que um instante possui a força motriz para conduzi-lo à redução do seu ser, de reduzi-lo ao estado de criatura redundante, de criação pejorativa, de ser primário que abandona sua possibilidade de construção para ser matéria modelável, não a seu próprio gosto e consciência, mas a turbulências endógenas e à sutileza do engano.

Criados somos existencialmente, me refiro ao plano material e orgânico, à custa do zelo de terceiros, sob uma “vontade coletiva” – “instinto de sobrevivência mútua”, e uma força anímica própria; e psicologicamente sem a delicadeza interior de uma alma lapidada, como matéria bruta, que arrisca-se a tender num movimento praticamente insensível da vida, em poucas palavras, uma matéria sem luz, mas com a possibilidade de a possuir. Muitos de nós somos “ensinados” a deteriorar a consciência, e o pior, nos tornarmos tão práticos nisso. Parecemos tão teimosos e exatos ao absorver uma ancestralidade de cunho tão negativo e no reaparecimento de certas características nas quais deveríamos simplesmente paralisar a prática para extinguir os efeitos, como em muitos erros que cometemos, em que somente esta atitude de parar viria a resolver.

Somos criadores, porque guardamos e expressamos em nós o potencial de construção, de manter e mover a vida e a continuidade histórica, somos criados porque recebemos uns dos outros muitas experiências, isso sem a necessidade de absorver qualquer rastro ancestralidade destrutiva, ou acorrentamento cíclico. Sem sanidade, impomos ou absorvemos as piores partes do que nos é dado ou ofertado por nós. Uma parte de nossa consciência vive sob a luz de uma aversão fundamental e a outra consiste numa concordância, ambos os lados querendo subjetivamente encontrar a parte que lhe serve para construir significados para si.

Outro fato, é que em oposição ao conhecimento, não percebemos nossas carências, agimos sem a conseqüência presenciando o momento real de nossa existência, e também sem conhecer a raiz da construção de nossas idéias. E agora, com componentes fortes da modernidade que nos obrigam, ao mesmo tempo, a absorver e ser pura atualidade, entretanto, com pensamentos e comportamentos retrógrados, só as vestes parecem modificar-se.

Por fim, nem me cabe aqui exemplificar aqueles que buscam a idéia, fora da mentalidade do criador dela, preferindo a colcha de retalhos comentada por terceiros, construindo bases sem fundamento firme, assim caem em fingimento ideológico e no engano de si mesmos. Estes são ou serão futuramente os mesmos viciados na busca parasitária das idéias, porque limitaram sua disposição e tendência ao desenvolvimento intelectual que possuem. Será que eu precisaria ser tão lógico para tratar o que todo mundo compreende? E dizer tão pouco como o fiz para ser tão mesquinhamente entendido? Onde estão as suas idéias?

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Nada demais

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Muito mais do que cultivar um sentimento,
é necessário, possuir tamanho zelo por si, para cuidar do outro.
Nem sempre alguém lhe abandona,
para causar-lhe um mal.
Observe quantas vezes o causou.

Lembro-te do dia em que decidiu lutar pela vida,
agora estou dizendo-lhe com sinceridade,
acerca do seu fracasso neste plano.
Não nos façamos mal, já nos fazemos tanto.
A realidade é que nem sentimos enrijecer por dentro,
nem esvaziar o próprio peito dia após dia.

Nós aceitamos a discórdia e a violência que é viver
fingindo força, dissimulando superioridade.
Ainda pensas que qualquer besteira que você faz é um dom superior.
Então, aperta o gatilho e tenta contra sua alma.
E sua índole forçada e tão mal paga,
se arraiga naquilo que você mais se orgulha: você mesmo!

És tu quem dissimula e finge o mundo em que vive,

porque o mundo explica por si a própria realidade.
Antes tinhas um sonho, mas transformaste tudo em outra coisa.
Isso é a vida que você odeia e mesmo assim suporta.
E eu como amigo, esquecido no canto, onde canto....
Encantado e tragado pelo amor da própria vida.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Palhaço Frustrado

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- Olha quem chegou!
- É um palhaço frustrado!
Finge talento para tudo, mas não sabe de nada.
Vive com tanta ambição
e a noção mais animal lhe domina...
Quer ser adotado por nós,
que nem somos engraçados...
Ele é uma espécie de apego a qualquer coisa,
é mais um fútil com uma maquiagem
que quer se ver na TV...
Se misturou conosco a coisa sem graça,
nos invadiu de tédio,
no mais ledo engano de que nos animava.
Você não expressa arte, você nem é artista!
Você só arrota clichês que decorou,
frases mórbidas, com mal vocabulário.
Ninguém precisa de talento para ser
este palhaço que és...
Ou muito menos, se curvar à postura secundária,
como fazes, achando-se grande.
Você para os risos, é um mito falido,
conformado com migalhas que encontra no chão.
Ora, eu voltei! Realista, com a verdade mais dura e seca,
tanto, que a sua mente, nunca verá maior deserto...
Seus pés aéreos tocarão o chão!
Se pasmo, te olhares no espelho...
Veja! É a tua alma que sangra, fúnebre palhaço!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Da Doença ao Buquê

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Meu corpo está próximo ao desastre,
Mas eu não ouço gritos de clamor...
Só uma insistência amorosa, depois de cada cheiro teu...
e a minha vida marcada de luta,
atravessando a tua, inquieta, aprendiz e tão atenta!

Ousou-me trazer remédios,
e eu, até pouco recusara-me a recebê-los...
Eles não curavam dores no coração!
Mas depois dos hospitais e médicos insanos,
só vi teu olhar me notar com piedade.

Foi só de ti, que então aceitei cura,
na minha teimosia que já era orgânica...
E meu jeito de acostumado aos maus-tratos,
então, resolveu render-se ao teu dom de ser mulher,
e agora minha vida parece virgem de tudo!

E os meus sentidos doentes,
apunhalam o mundo esperançosos...
Já não jaz um homem, como antes, morto em vida,
ou com tanta pressa para o túmulo...
Agora quero fazer um buquê de flores para ti!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Devir

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Eu sei que nas suas madrugadas seus sentidos estremecem,
enquanto você se aborrece com seus pais,
e corta o próprio cabelo,
como quem se livra da repressão que há dentro de si
se atacando por fora...
Como se seu corpo reagisse ao corte que lhe fazem ao coração,
rasgando seu próprio peito com a solidão
e com as tesouras moldasse sua identidade...
Até marcaste a tua pele com uma tatuagem: uma flor!
E eu que a olho como se teu corpo fosse um jardim,
nem sei se o mesmo imaginara de si!
Avistei-te de longe, com um andar de como quem chutava o chão,
e olhando firme com timidez, me afogava penetrante na tua pupila!
Não me percebia, porque eu longínquo e retrocesso em teu mundo,
perdia-me na filosofia do isolamento
e nos males mais retardados que alguém pode ter.

E esses males, eu também os era em pessoa...
e sou ainda, pois o veneno em mim é demais para duas vidas!

Vejo teu espírito de vulcão
e teu ar, de quem quer provar a promiscuidade inicial da vida,
sem violar seus desejos e sem trair ninguém!
Eu sei que ainda cabe em teu peito um amor diferente,
que não apela para o mau gosto e nem se deixa usar.
Vem que estou pronto para as torrentes do devir,
e para o teu sarcasmo,
que não noto, por causa do teu olhar de simplicidade...

E quanto ao teu silêncio, para mim, é profundo.
É a razão mais linda, enriquecida de tua feminilidade séria.
Eu não sei por que ainda insisto ver de longe teus caminhos!
É incompreensível por que andas com aqueles que têm certeza
que não lhe conhecem por dentro.
Um mundo em que a imitação intelectual
é só um modo lúdico de atrair atenção...

Um brinquedo provisório,
esquecido nos ventos dos ambientes aonde se vai!

Sinto que dentro de você falta um pouco de si mesma,
e eu não sei por que, sem conhecê-la, fico me rasgando de saudades!
Se me permitir, eu faço um último lamento:
- Quero você inteira para si!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Méritos e Lástimas

Posted by: Luziel / Category:

Não se escreve o futuro com as letras mortas do passado,
se é que o futuro, pela distância, pode nos servir.
Assim como nos serviram, as bebidas e os cigarros,
e no outro dia, nossas cinzas,
com um tempero forte e sabor amargo de pouca vida.

Fomos e não fomos, e não escrevemos linhas certas,
só andamos em cada caminho torto,
conhecendo as paisagens com olhos pálidos,
e, vendo a beleza da chuva, preferimos nos jogar na lama
e até na grama onde havia rastros de suicídio.

Lembro-me ainda das escadas e dos empurrões,
onde eu caí e levantei-me em teus braços,
olhando tua face lacrimejada me pedindo eternidade.
Eu tinha somente aquele minuto sempre e nada mais!
Teu minuto mágico que sumia entre teu egoísmo.

Guardava tantas armas que me assombravas,
mas negavas fogo, não tinha artilharia,
era só um modo deselegante de dar um golpe para fuga!
Não vias que regras e mais regras te consumiam,
e você, transformava-se numa receita copiosamente errada da vida.

Entreguei-me às calçadas e ao impretérito das mágoas!
Entre méritos e lástimas, sons e cores, corpos e luzes...
Estive em cada fim, rompendo meu silêncio em silêncio!
Não a vi florescer, mas eu lhe ouvi todas as vezes que gritou...
Senti todas as vezes quando desejou dizer que me amava!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Existência de Flexibilidade Conceitual e Líquida

Posted by: Luziel / Category:

Compreendendo a dimensão da dominação no campo ideológico, agora pretendo comentar acerca da existência de flexibilidade conceitual e líquida, na qual estamos imersos. Primeiramente, é importante ressaltar que alguns neste ponto,podem se opor, e que nada faço, ou justifico, para afastar a crítica. Ao contrário, é importante que ela exista e haja intervenção neste plano da discussão. Ao meu ver, isto daria, além de contribuições, a importância que o assunto merece. Portanto, dito isto, estamos abertos a toda e qualquer alteração plausível nas linhas que se seguem abaixo.

A existência de flexibilidade conceitual, é como um grande efeito antagônico onde o ser deixa de objetivar seus anseios e valores, passando a limitar seu comportamento a partir dos “consensos sociais”, ou seja, ao governo do senso comum o indivíduo nortearia sua existência - lógica de que para tudo há um conceito instituído e “petrificado”, e que nós, apenas nos apropriamos rigidamente do que está construído ideologicamente no mundo. Isso talvez, expresse a força da engrenagem de controle social, mas por outro lado, também confessa, que em virtude de uma infinidade de “razões” inventadas, se tornou tão mais desejável aos nossos olhos não construí-las, nem manter preocupações nesse sentido.

Os “conceitos” sociais se objetivam no comportamento dos sujeitos, logo, temos o seguinte resultado, enunciando uma sentença tradicional e antiga da Filosofia: veritas est adaequatio rei et intellectus (verdade é adequação da coisa com o conhecimento, e invertendo, a adequação do conhecimento com a coisa). Que tipo de “verdades” ou conhecimentos foram dados ao povo todos esses anos, levando em conta nossa sociedade classista, que preza, não só pela desigualdade, mas também pela estratificação social resultante desta? Que tipo de educação foi destinada a uma classe e outra?

Que tipo de adequação estamos fazendo do conhecimento que nos é ofertado com a nossa existência? Somos essa “coisa” adequada ao conhecimento mutilado que nos deram? Aqui se pode refletir, sobre este momento no qual atravessamos: “era da informação”! Ora, todos sabem que a informação também sofre suas mutilações, e que a mídia e outras instituições se aproveitariam da desinformação para manipular os fatos, e assim “informar”; ou somos tão ingênuos e negamos isso? Todas as idéias, nessa lógica, são separadas de seus autênticos referenciais ideológicos ou contextos de maneira proposital! Haveria um modo melhor de se criar ideologia e engano a não ser separando as idéias e os fatos da conjuntura em que existem?

Quero aqui ampliar, essa discussão sobre essa maneira flexivelmente conceitual de existência e minar essa concordância de que não há conhecimento criminoso, povoando nossas mentes, induzindo um comportamento em massa e à grosso modo o status quo da “razão coletiva”, porém não elevando isto ao estado de determinismo, logo porque somos seres com posse histórica. Os sujeitos parecem buscar a verdade a partir dessas construções sociais consensuais massificadas: a essência do ridículo, a aplicação da lei do menor esforço, da busca do “normal”, da ”moda”, do “comum” e do “cotidiano” com a ousadia considerá-las “diferente” ou “novo”. Aqui vemos o quanto é forte a tendência à naturalização do absurdo, prerrogativa inclusive neoliberal, porém, no caso deste modelo econômico, voltada para a pregação do individualismo e da concorrência, mas que tende à padronização social como estímulo ao consumo.

Desejo aqui citar um exemplo simples para compreensão, sem que isso possa remeter preconceito. Por exemplo, temos um conceito social do que é ser emo. Geralmente, nosso entendimento sobre esse grupo em relação ao que eles expressam sem uma significação própria e bem entendida, não ultrapassa o campo do visual, algo que ainda os próprios não conseguiram superar. Em tese para ser emo, teríamos que aderir à moda, ao corte de cabelo, ao sentimentalismo moderno e algumas formas comportamentais comuns aos mesmos e facilmente seríamos aceitos num grupo de emos. Deste modo, não se viu aqui mencionar nada em relação ao caráter (não há assimilação de caráter clara, a aparência se sobressai e o caráter é subjugado em detrimento dela), à questão ética ou raiz étnica. Há certa valorização no campo da aparência como padrão de aceitação desse grupo – será a aparência superior ao caráter? Diferentemente do que ocorre entre um povo indígena, onde nunca seríamos aceitos num grupo dessa natureza se somente nos “vestíssemos” como índios, pintássemos o corpo, cortássemos o cabelo a tribo, usássemos cocar ou aderíssemos a outros costumes peculiares.

Ser emo assumiria aqui a forma de existência de flexibilidade conceitual, porque surgiu por meio de um padrão social, de um conceito formado por um grupo que se disseminou socialmente, assumindo uma forma de comportamento, no qual o sujeito pode depois vir a abandonar tal modelo, já que não há raiz étnica intrínseca no ser emo ou nos indivíduos com tal afinidade. Ao contrário, vemos a negação da própria realidade cultural, sendo este modelo visivelmente uma opção circunstancial e de ordem consumista, provavelmente efêmera ou possuindo certa duração. Já para o indígena, ser índio é significativo - possui inclusive traços genéticos, é importante lembrar - ou seja, tem um significado cultural forte, parte de uma raiz étnica com força tamanha, vivenciada desde o nascer, além de toda uma construção histórico-cultural, que no caso do primeiro grupo parece ser um tanto quanto indefinida em todos esses aspectos.

Não desejo que o leitor aqui entenda como comparação entre um grupo e um povo, mas compreenda a explanação como um meio de facilitar a demonstração daquilo que estou abordando neste texto, por via de certas peculiaridades. Quero também lembrar aqui, outras questões que ajudam nesse entendimento correlacionando com o escrito por Theodor Adorno em sua obra Mínima Morallia, entre elas estão os seguintes pontos:

• As pessoas querem experimentar a vida como quem consome uma substância de efeito imediato, anulam o caráter em detrimento da aparência.

• O comportamento de marionete e o comportamento irreal e controlado de uma personagem que sai da TV e assume papel de costume na “vida real”. Sujeitos convertidos em objetos das tendências e dos meios de comunicação em massa.

• Uso da produção visual de massa como forma de degradação e degeneração da vida social, como circunscrição dos padrões a serem adotados, transportando tudo para a esfera do consumo, objetivo direto da produção em massa.

• Indivíduos como caricatura dos personagens da TV, estilo de vida, maneira de pensar e vestir cada vez mais impregnado com o conteúdo das “grandes tendências”, enquanto a cultura autêntica em relação a estas esferas é subjugada, tratada como atraso, “regionalismo” e desprezo.

• Dissolução histórica do sujeito – sujeito para si, e não em si. Pregação da atuação social de forma individual, o sujeito se envolve com o meio coletivo agindo individualmente.

• O propósito de anulação dos indivíduos (sensação de que estão tão seguros de uma autonomia que não existe) já ultrapassa a forma de subjetividade, se materializa no mundo, a ponto de estimular o homem a tornar-se infiel a si mesmo.

• A consideração subjectiva, mesmo criticamente acutilante acerca de si mesma, cola-se um [elemento] sentimental e anacrônico: algo do lamento pelo curso do mundo, que seria de rejeitar não pelo que neste há de bondade, mas porque o sujeito que se lamenta ameaça ancilosar-se no seu modo de ser, cumprindo assim de novo a lei do curso do mundo. A fidelidade ao próprio estado da consciência e da experiência está sempre sujeita à tentação de se transformar em infidelidade, enquanto renuncia ao discernimento que transcende o indivíduo e chama tal substância pelo seu nome.

A existência de flexibilidade conceitual e líquida é aquela em que o ser vive em função dos paradigmas, é moldados por eles e a flexibilidade é tão densa, que o ser não tem sustentação para agir historicamente, porque é como o líquido que se adéqua ao recipiente em que é colocado. Os conceitos existentes são mais fortes do que sua ação intelectual, uma espécie de destruição "criativa" do mundo que aponta e sugere a regularidade desta condição. Em verdade, uma importação dos problemas sociais em que temos a criação de uma massa social redundante (ver Vidas Desperdiçadas de Bauman). Portanto, gostaria de lembrar que a cultura social está sendo submetida à ditadura das grandes tendências, enquanto a raiz étnica vincula-se ao esquecimento e ao desprezo social.

Não me interessa contrariar sua razão social de ser tal qual como optou, só acredito que não seja necessário, nossas escolhas serem resultado da mercantilização cultural, já que não desejamos ser um objeto projetor de uma cultura desenhada para destruição de nossas raízes étnicas. Somente com uma razão étnica forte é que podemos nos construir como gente e vermos a boniteza da cultura popular se manifestando autenticamente, fortalecendo os que a constroem, e que deram, e dão suas contribuições, tornando-nos capazes de nos sobressairmos às intenções de aniquilação cultural dos povos. Um fim à lógica de sermos como um líquido que se adéqua ao recipiente construído pelas vias ideológicas maldosas. Não à destruição da cultura dos povos e à idéia existencial de passividade e obediência ao que chamam de “cultura dominante”!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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O Último Fio

Posted by: Luziel / Category:

O que me sobrará depois de minhas últimas palavras?
O que me sobrará quando meu último fio de lucidez se desfazer?
Alguém já se sentiu beirar a loucura?
E ir rasgando tudo, todas as noções, todas as opiniões...
Tendo uma breve e derradeira explosão de criatividade?
Tocar o céu e o inferno ao mesmo tempo e não saber onde ficar?

Já sentiram sede de ter a mente vazia de qualquer idéia, mesmo das mais absurdas?
Quando a memória falhou e a pessoa do seu lado se transformou
repentinamente em seu objeto imaginário, viu-se confuso?
Sentiu um suor frio na testa descer e molhar os lábios?
Seu coração com dor física, e a sua mente sendo um árbitro de sua dor psicológica?
Sentiu que devia gritar, mas retrocedeu quando viu que não entenderiam seus gritos?

Se fosse só a vontade de mudar, que resolvesse tudo que preciso,
eu teria descoberto a receita exata da felicidade,
teria força para organizar todas as ciências,
toda boca triste me daria um sorriso,
toda última palavra de amor seria para sempre
e não existiria nada que a minha tão pouca razão não pudesse superar...


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Espaço da Decepção

Posted by: Luziel / Category:

O espaço onde um povo em tese deveria utilizar para construir sua liberdade, fortalece sua decadência, possui um ar de desescolarização e silêncio, onde o dever é mecânico e a ética é uma lei frágil, que só aos derrotados se aplica, porque para vencer não se pode ser honesto! Eu lamento, pois aqueles que desejam destruir o espaço social, estão fazendo isto sem trabalho algum, as mãos encarregadas são as que contra si mesmo se opõem, no caso, os ideologicamente dominados, que são como um megafone da voz opressora no mundo. Também destroem o espaço das lutas sociais os que propositalmente almejam isso e não medem esforços para exercer domínio.
Simbolicamente esfacelam as mudanças, transformando-as num conta gotas para uma multidão de sedentos, que a troco de tudo vendem a vida, a dignidade e esmagam o poder popular. Os candidatos que sempre fazem discursos declarando respeito à democracia, ao exercício da cidadania e ao poder de escolha de cada sujeito, nesta eleição, como todas as anteriores, violentaram nossas escolhas, manipularam votos, quando não compraram-os. Disto isto, não há democracia, enquanto o homem se vender, enquanto uma multidão for incapaz de impor suas escolhas conscientemente.
Deste modo, como se percebe a ditadura no voto, em mesma medida se observa que o pessimismo se engessou e transformou-se em comportamento social, numa opção “coerente”, num estilo de viver socialmente. Criaram senso, seguido de “opinião pública”, consenso entre a população, que por sua vez, respondeu com uma atitude que parece corresponder a um condicionamento fatalista da mídia, como não poderia ser diferente, para essa classe majoritariamente golpista.
Agora “celebramos” por mais quatro anos um “novo” velório, sentidos por uma decisão que nos injustiçou, e não somente a cidade de Imperatriz, mas a um Maranhão inteiro. Agora temos que suportar uma mulher que se afirma "estar de volta ao trabalho", mas que sempre teve preguiça e má disposição em arregaçar as mangas para retirar nosso estado da lama, ao contrário disto, aprofundou nosso atraso, e agora, com todo seu discurso, que mais parece uma espécie de “santismo” - “me respeite” - nossa “beata” política que nunca teve respeito algum pelo povo maranhense, agora exige esta submissão suja de nós! Parabéns aos que lutaram e continuam a lutar contra essa oligarquia! Em frente sempre!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Amar para remediar

Posted by: Luziel / Category:

Para minha dor não necessito de remédio,
nem de um amor genérico, bandido e perigoso...
quero um amor livre e puro.

Amor é medicina alternativa,
é um caso harmônico com a natureza humana,
perante o desafio de não ser.

Amor, meu amor, nosso infinito amor.
A repetição mais ousada e louca,
sem mistura de paixão com um sentimento frio.

Perdoem-me pelo terrorismo,
por explodir tantas vezes o meu coração,
o que me pulsa no peito é contagem regressiva!

Mas, creio não ser o fim da vida!
É sim, o começo, meu meio, meu fim,
é o afago mais carinhoso que a vida me traz.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Nudismo Poético

Posted by: Luziel / Category:

Desejo o nudismo poético,
o risco e o preço que se paga por isso!
Quero palavras que se apressam
em dizer as verdades do mundo...
E que não se desvirtuem pelas ameaças.

Melhor é romper com o céu triste e mentiroso
que paira sobre nossas cabeças,
e sorrateiramente fazermos beijar o chão,
aqueles que nos esmaga com tirania!
Brigamos pelo fogo e hoje vamos esconder cinzas?

Pessoas nuas e corpos puros,
onde as aparências não enganam,
ou nos surpreendamos com as vitrines que nada dizem!
Peço-lhes poesia culta, com charme intelectual
e com as cores vibrantes da realidade!

Versos que não me pareçam tendências da moda,
com franjas e calças apertadas...
Também posso dar-lhes uma saia justa!
Navego nas palavras porque se naufragar, eu posso voltar atrás.
Nudismo! Eu anuncio o nudismo! "Tirem as roupas e vistam-se de sinceridade!”


(Autor: Luziel Costa Carvalho
)


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Carta aos Destruídos – Trecho

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[...]

Agora, precisamos entender que não somos destruídos, mas podemos fazer isso conosco, entretanto, não nos favorece usar este traje de força devastadora, nem deixar isto existir como nossa sombra, o que nos cabe é “ser” sempre uma resposta digna e coerente, mesmo sem o dom da perfeição. Se o mundo “mais primário” é o da dor e da sede de (auto)destruição, é sugestivo dar um salto a uma natureza onde não estejamos sujeitados à violência dos ventos e das tempestades. E se isso não podemos evitar, nos tornemos capazes então de suportá-los. Não haverá sustentação num mundo onde só existem insistentes na queda, e mesmo que ela seja severa, isso não nos condena à derrota, porque a causa da vitória é um bem maior, que não está nem no pessimismo, nem no otimismo, está como grande projeto a ser criado e executado dentro e fora de todos nós.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Contagioso

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Eu gostaria de ser contagioso,
levado aos organismos como os gases aos pulmões...
Ser como a lança que lhes perfura o peito,
tanto quanto seus pensamentos, sonhos e idéias.

Mas eu sou um coração trágico,
com a minha doença solitária...
Amor sem hegemonia e poder – um eu tão fraco!
A solidão nasce agarrada ao corpo
e amarrada em nossos pés rachados.

Se não for pedir demais,
eu quero construir meu coração para alguém,
e desejo que outrem assim faça por mim.
Quebrem os rebocos, as paredes, e se preciso, todos os muros!

Peço que não me iludam com decorações.
Nos jardins dos hiperbóreos e loucos desgarrados,
mil genitálias em terra fértil e molhada...
A estes: um invólucro e o muro de Berlim na alma!
O invólucro para segregar a dor e o muro para cair sempre do lado errado!



(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Espelho e Castigo

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Para aqueles que me acorrentaram nos moldes de outras artes,
recomendo alguns murros na parede...
Se isso doer-lhe, saiba que toda arte tem efeito,
Se a parede manchar-se de sangue,
você usou a melhor tinta...
Pintou com sua dor a melhor tela!
As telas, as cores e as palavras são livres.
Não lhe pintei como manda o “figurino”,
não ouse fazer isso com a arte!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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“Lacto” Sensu

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Humano tão inumano,
que diante da solidez da própria vida,
transforma-se em pedra,
e assim faz, porque é incapaz de suportar
o peso da consciência de existência que lhe traz a vida.

Soberbo, tanto que se perde em si!
Balbucia palavras que soam como a cor do vento,
e a maldade soa como se no mundo só houvesse falta de luz.
Como se para todos os males,
tivéssemos como única saída: a destruição.

Risos de intriga, com cunho de dor,
mastigam entre os incisivos, os incisos que a lei esconde.
Aqui vivem maculando o solo dos que precisam crescer,
e as crianças, estas vivem como feras,
porque o leite da maturidade é fraco.

Burrice, ela tem orelhas e neurônios pequenos – ouve e pensa pouco!
É objeto de insistência dos homens,
o breu por trás do que ensinam na escola!
Escola: “exílio para os críticos”, “pasto para os burros”,
“prisão para os marginalizados” e “emprego para os cômodos”!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Entrelinhas

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Rasgam-me nas entrelinhas,
sinto todos os vestígios de bocas sujas,
vejo a sede de socorro neste lugar inóspito,
e outros gritos que se confundem e congruem com os meus.

Outrora, não sabíamos que estávamos tristes,
que vivíamos mal e que a depressão roía-nos os ossos!
Agora, somos felizes por ver a desgraça,
e é pior este sofrer, porque nos retarda.

Conheço bem quem me acena com mãos livres,
dando-me um tiro, me apontando um canhão em mente...
Eu sei ler suas entrelinhas e seu descaso,
até mesmo, seu julgamento que me faz deserto!

Mas falta nos seus tiros a precisão!

Você se esconde entre os escombros,
enquanto fico a varrer a lama com humildade,
contrário aos passos da multidão.

Fique com seu “erudismo” se roendo nas entrelinhas,
Fique com seu teatro rondando a ficção...
eu uso este coração que se arrasta no asfalto,
sem deixar dormir a felicidade dentro de mim.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Fleumatismo

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Será que o meu sonho segue o compasso de minhas pernas?
E o relógio que marca as horas, me diz o tempo exato de agir?
Estou com os ânimos ultrapassados, com o leme desgovernado
e, a ponto de deixá-lo voltado para qualquer direção,
e não me importo se chegar a uma ilha isolada...
Quem nunca teve vontade de sumir?

Eu agora faço vôos noturnos,
e olho entre as quatro paredes da solidão
as marcas da minha insônia.
Coloco em minha boca o gosto do café amargo,
sem me comprazer com a relação que isso tem com o sabor da vida!
E por instantes, me calo, enquanto meus papéis me absorvem!

Quero ter força quando enfiar as estacas de meus pés no chão!
Mesmo dançando a valsa da vida sem muita elegância,
vou entrando e me entranhando sorrateiro em salas restritas,
nas discussões que não “me cabem”, nos bares e bordéis de cada esquina,
com presença e identidade esquecida,
entre os sóis que brilham sem dizer nada.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Pressentimento

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Pode ficar comigo até que o seu medo da vida se apague,
Não me importo em ser a última descoberta antes de sua partida...
Eu sei que é por enquanto, tanto que me acostumei a isso.
Sendo tão jovial, é natural temer-se enfrentar o mundo,
e sentir que não se tem um futuro promissor.
Mas isso só dura um minuto,
talvez uns anos, ou quem sabe, a vida inteira...
É só uma questão de planos!
Ser submisso à desgraça é outra história!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Esterilidade de Heróis

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O herói não pode continuar a ser aquele indivíduo que vem ao mundo sofrer protagonizando a dor, sendo aquele em que todos os outros sujeitos se amparam, depositando votos de mudança do mundo, enquanto na postura de figurantes, permanecem numa paralisia herética, onde o cenário determina a posição das pessoas subjugando-as à tragédia. Ou então, onde as cenas são cautelosamente preparadas para o grande naufrágio da humanidade com um tom cômico. Achamos melhor suportar a dor do que a verdade, e consideramos melhor assegurar a derrota de muitos para que alguns sejam “vencedores”, ao invés de todos partilharmos as glórias.

Bem vindos à “neoconstrução” dos valores sociais, onde os comportamentos são claros, mesmo perante a fingida obscuridade. Todos se vêem, embora prefiram não frustrar os propósitos corruptos uns dos outros: “somente os sonhos podem ser destruídos”. A questão agora é deixar desumanização tomar conta da vida psicológica e da conduta das pessoas, deixar as máquinas fazerem o trabalho, enquanto os homens param e assistem a derrota das interações sociais. Assistimos à seleção natural realizada pelas máquinas determinando os homens competentes, fora a “mão divina” da economia e o braço invisível do mercado que recria o mundo (des)humano, constituindo um júri que nos qualifica e desqualifica e nos culpa por tal condição.

Estamos num mundo onde o tempo é líquido e escorre por todos os lados. Num espaço onde o valor humano se confunde entre o preço de qualquer bestialidade. Vivemos num universo em que as armas reprimem as fotos que podiam ser tiradas da realidade, quando não, assassinados os que tentam audaciosamente isso. São as balas que descem e sobem o morro tranquilamente derramando sangue, enquanto os moradores correm desesperadamente para qualquer abrigo. Sempre precisamos de uma legião de heróis, mas os egoístas sempre prezaram pela tranqüilidade da “neutralidade”, pelo não envolvimento com a “ordem social”. Via de regra, se não são os populares que a fazem, quem nos condicionou a executá-la imputando tanto respeito a ela? Por que obedecemos a uma ordem que não produz progresso?

Somos viciados na covardia, adeptos da crueldade e da mola que empurra-nos uma vida seca e de pouquidão cultural goela abaixo. Matamos os heróis e depois que sentimos desgosto por esse fato. Contamos sua história repetidamente guardando-a num museu transformando-os em ídolos, e nós, admiradores sem causa - “a realidade pode morrer as relíquias devem ser conservadas” - à medida que o sangue derramado continua a gritar avisando a continuidade da violência, nossa falta de sensibilidade e o nosso pouco tato para encarcerar os verdadeiros culpados.

De outro lado, as escolas se perdem em receitas complexas e banais, já que sua função social é para benefício dos poderosos, então é bom nutrir um exército de tolos. "Burros, mas burros com ideologia!" Uma instituição que afoga muitos em insegurança, depois de dedicarem um labor de quase vinte anos, arrastando a história de joelhos, com as bocas fechadas e a consciência fertilizada para um programa didático-metodológico de dominação. Os bandidos estão ensinando e inculcando nos inocentes esta mentalidade violenta para agirmos como eles mesmos são, revelam todos os dias “maneiras ótimas” de enganarmos uns aos outros de passarmos à frente deixando para trás aqueles que têm o mesmo direito de prosseguir. Onde estão as instituições do Estado que ajudam os que querem um mundo melhor, os que anseiam justiça e os pais que querem ver os filhos crescerem com esperança? Onde está a fábrica social de heróis? Onde estão os personagens que juravam e não cumpriram sequer o que lhes era de responsabilidade? Se estes são nossos heróis, beiramos prazer e afinidade pela bandidagem.

Estamos, em verdade, na esterilidade ética, num plano onde se fomenta uma “incrível” virilidade estética, não sendo nova esta ênfase que se restringie à idéia de superficialidade. Sofremos com a esterilidade de heróis sociais e com a formação de pessoas determinadas a lutar, como realmente lutam os heróis. Já que estamos a sofrer com a esterilidade de grandes homens e mulheres, o social está optando por acolher e escolher os bandidos para estes “lutarem pelas grandes causas” do povo. Cadê a herança prometida a nossos filhos e às gerações futuras?

E por fim, será que esse deus que construíram vai continuar a ser o maior herói da humanidade, criado por vocês propositalmente para ninguém gostar, e ainda, carregá-lo como fardo? Quem será o fardo, nós ou esse deus? Se não somos inimigos do mundo e de Deus, quem somos nós? Começo a achar que ler os quadrinhos e inventar heróis de modo ilusório parece ser o grande hobby da humanidade.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Átrios da Eternidade

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Átrios, o tão breve pulsar dos átrios...
Eu tão certo de que não durarei muito,
Deixei minha vida se derramar em lágrimas,
Mas não permiti à minha existência, cair nas rimas da morte!

Hoje estou falecendo nas graças do abismo,
depois de encerrado em meu universo,
o maior propósito de manter a vida!
Deixo perturbar em ti o engano que a faz ser neutra!

Prefiro minha infância,
à idade adulta mal vivida e receosa,
que quando febril enlouquece...
à medida que o corpo padece na fome das multidões!

A morte está na eternidade,
e a eternidade está na morte...
E todo eterno nasce e morre,
porque é necessária tal condição para o ser!

O que seria o eterno
para a idéia de passado?
O que seria o eterno
para a idéia de futuro?

O futuro chega e vira passado!
Eterno é estar sendo, de instante em instante!
Sem se poluir pelo passado,
e sem se embriagar pelo futuro. Mas é estar imerso nos dois!

E para quem me disser
que a morte é um mal necessário,
peço que não naturalize isso com violência,
porque é um mal arbitrário o mal viver dos homens!

Fazem rezas, preces e orações,
mas continuam a sentir os mesmos sintomas da vida!
Eu estou morrendo, sem me deixar vencer pela morte.
Estou no centro do furacão sem me deixar anestesiar contra os riscos!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Show de palhaços

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Para cada filosofia vã,
para nós que pensamos elas,
um aplauso caloroso aos destroços da burrice!

Para cada dia sem amor,
para todo dia que sentimos qualquer coisa,
um elogio à nossa loucura híbrida!

Um show, um programa,
que não diz nada!
Para nós que acreditamos em tudo, foguetes!

Natal, ano novo,
apertamos as mãos e ofertamos abraços,
e o resto do ano sem sonhar nada juntos!

...para qualquer coisa uma multidão de palhaços!
Para as coisas importantes apenas um herói sozinho!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Depois de Mim

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Depois que o vendaval passar,
que você testemunhar o que outrora lhe dizia;
o percalço da minha insistência florir,
e a minha beleza pequena no tempo encerrar,
verás que são grandes tuas chances,
enquanto me perco entre as tuas lembranças.

Eu antes era o pincel que lapidava tuas telas,
agora sou uma tinta seca envelhecida,
entre as baratas e as teias de aranha do teu peito...
Não tenho mais um rosto,
é só uma carne crua apodrecendo no tempo!
E não vão sobrar pegadas por onde passei.

Quero presenciar quando teus olhos rasgarem as escamas,
porque quando me olhar de verdade,
e notar a violência das imagens que nunca vira,
me esfacelará por causa das coisas que te influenciam!
E neste dia eu vou dormir,
enquanto meu coração, aos poucos, destroça minha retina.

Ficarei na espreita próximo à minha vizinhança,
onde eu sempre soube de todos e ninguém soube de mim;
entre as ruas onde dou cada passo para o esquecimento,
Lembrando de cada dia especial que não fui visitado,
nem fui visitar ninguém...
Eu vou ser esquecido, mas vou sair para ver o mundo!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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De corpo e alma

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Pode tua virgindade tornar-te pura?
Pode teu sexo explícito te acalentar a alma?
Ou queres violentar meus olhos e traumatizar meu coração?
Não bastando o dragão que matei dentro de mim,
agora tenho que presenciar o fogo insano que sai de tuas entranhas,
abominando minhas emoções, dilacerando os pulsos que beijei.

Eu nunca quis receber este trato,
ou ser a criatura nojenta que sai do lixo.
Nem presenciar teu choro contaminado e poluído,
auto-afirmando o teu mau zelo pelo corpo.
Eu não sabia que estava alimentando-a com restos,
Já que sempre lhe ofertei amor infinito.

Presenteou-me com rosas mortas e desesperança,
matou nosso jardim, depois de tanto esforço para cultivá-lo.
Regou nossas flores com as águas podres que desciam do teu corpo,
e que banharam meus olhos e depois os teus com pranto.
O que farei com as promessas que eu não posso violar?
Não posso oferecer em sacrifício o amor que jurei!

Como será me encontrar na lama,

desprovido de razão sem obedecer ninguém?
Como será romper meu hímen cerebral,
vendo eu me reprimir toda vez que for falar?
Como será me ver indigente na noite
provocando desordem para esquecer de nós?

Não vou mais correr para encontrar o nada,
nem beber os vinhos, vendo em cada copo minhas gotas de sangue.
Desculpe, mas eu não sei evitar amor, foi sem querer.
Porém, desde já, escolha bem a piada, poderei virar a cara e não rir mais.
Não me encanto mais com o desprezo,
Não quero ninguém que finge se entregar.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Big Bang

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Ponha tuas mãos em meus lábios,
Beija-me o pescoço e arranca meu fôlego!
Tudo em mim é exclusivo para ti.
Não temas, não duvides...
Cada vez que entrego meu corpo ao teu abraço,
é sempre mais do que isso.
Você é, além de tudo, a minha melhor escolha,
e tudo que me encanta existe em você!
Ainda não nos entregamos aos beijos,
porque, delicadamente, estamos investigando nossos corpos...
Tracejando cada passo e ensaiando cada movimento...
Estamos deixando a cobiça consumir nossas bocas,
para o "big bang", para a gênese de nossa loucura depois!


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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A Descoberta

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Estou vivo e próximo ao bosque,
vejo e sinto o aroma das flores.
Uma vez nele, não sinto mais
o pêndulo soar dentro de mim,
indo de um extremo a outro.
Por dentro sou um arranjo de surpresas,
por fora, sou mãos e bolsos vazios.

Assinei meu divórcio
depois de um casamento infeliz com a vida.
Almejo com sede, o que está além do horizonte!
Quero estar aquém,
sem quando, sem depois,
estou no agora, e só isso me importa!

O mundo não incide em colisão,
o precipício cavado é nosso.
O fosso do vazio desce da língua ao estômago,
e do coração para o amor faltam léguas,
enquanto a lógica mortal dos homens te apedreja,
e faz do meu gênio, uma arte detestável.

Já não sinto dores, nem medo ou pavor
da minha atmosfera de velhice.
Brindo este fardo, pulo a cerca e mato os demônios.
Enfim, estou liberto da orgia de mentiras,
do sentimento prostituído e da volúpia breve,
entro na esfera da criação e me invoco como criador.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Eixo Social das Futilidades

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Acerca do homem como senhor de suas vontades, ou mesmo, insano, à ponto de submeter-se alienadamente à dos outros, hei de se convir sobre a relevância de discutirmos com severa indignação, a polarização dos homens a estados sociais ideológicos que os põem à margem do mundo e de si mesmos, onde falsamente envolvidos numa harmonia social, são tragados pelas razões medíocres, pela subversão das idéias e de suas ações em seu lócus de sobrevivência. A realidade parece, ter sido usada como fonte jorrante de fingimentos; pelo menos, quando um sistema ou rede de poder é constituída nela para exercer tamanha influência, que, de tal modo, nos induz a pensá-la imersos em distopia, somando a isto, a deturpação midiática da realidade que é um mecanismo eficaz para fazerem as massas dobrarem seus joelhos.

Isto, é uma expressão nítida de que, socialmente, produzir engano é vantajoso para os que ocupam o poder, e que criar, representações de mundo capazes de orientar a vida de vários indivíduos, equivale a dominá-los, sem o uso da força física para isto. Lembro-vos oportunamente, algo mencionado por Bourdieu (2004), que expressa que o domínio ideológico, tem efeitos equivalentes ao que é obtido por meio da força física. Portanto, não é estranho que o Estado (força agregadora de poder da burguesia) dedique tanto tempo e dinheiro, mantendo o radicalismo suas falsas “feições” populistas, fazendo-se de “companheiro” do povo. Ainda que sua justiça não funcione, que seus serviços públicos estejam precarizados, sua educação em situação calamitosa e seu índice de desenvolvimento humano (IDH) baixo, manter como consenso entre a população a idéia de “desenvolvimento” e “progresso”, é a maneira mais “lucrativa’ e também apelativa, perversa e enganosa usada.

Não adianta vivermos na condição de “otimistas” carregando conosco uma carga social tão pesada, cujo resultado é claramente uma forma generalizada de controle expressa de um homem a outro. Deste modo, poderemos estar à serviço do sustento dos privilegiados, efetivando e incluindo nas mudanças sociais a continuidade de eixos que nos polarizam e trazem à reboque a manutenção do status quo. O resultado da democracia (sistema de governo) de raiz burguesa não foi a libertação dos povos, assim como o capitalismo (sistema econômico) não promoveu a igualdade entre os homens, dando ao trabalho, apenas o dever de produzir lucro, desvinculando-o de qualquer projeto de igualdade social (e não somente disto), voltando-o ao enriquecimento e drenagem de recursos para pequenos grupos. É deplorável ver que o trabalho dentro do capitalismo antagoniza os homens à medida explora sua força de trabalho, e que, ao passo que nos vemos diante do discurso de que é “honesto” trabalhar, de outro lado vemos o desprestígio social de muitas profissões e explicitamente a desvalorização do trabalhador.

Somente uns devem honestidade ao trabalho, outros não? Portanto, não é compreensível que naturalizemos com tanta passividade toda a “sorte” de imposições, ou progressivamente nos submetendo (e sendo submetidos) a estas. Tudo é conduzido aparentemente sem dano, para que um grande mito coletivo se instaure “invisivelmente” e mantenha viva a legitimidade da arbitrariedade no aparelho público, inibindo explicitamente as ações populares, e em mesma medida, materializando individualmente nos sujeitos comportamentos conseqüentes da dominação.

Isto contribui para que o juízo crítico esteja batendo à porta do desprezo, entre aqueles que dele necessitam para reconhecer autenticamente a realidade e se identificarem verdadeiramente com o mundo, conhecendo suas mazelas e as construções históricas que os constituíram como corpo social. Sejamos capazes, tanto de resgatar, como de reconhecermos nossas origens e reatar os laços com nossa potencialidade de ação histórica, na garantia de sermos aceitos socialmente e podermos conviver coletivamente sem nos sentirmos obrigados à "padronização e adequação" social dos blocos hegemônicos do capital.

Já ouvimos em uníssono todo o som faminto que uivou, e agora, mais sedento ainda expressa o desrespeito ao nossos direitos e a violação da vida mundialmente. A intenção de mundializar a economia e a tecnologia, sem a consideração mundial dos Direitos Humanos, sem a integridade internacional e particular de muitos países, no que diz respeito à garantia e positividade dos mesmos. Estamos observando o Estado, a máquina pública desabar, uma estrutura que perdera seu fim social, se é que um dia o possuiu, que governa os homens para afiançar a exploração. Não há freios para a liberdade econômica, mas há paralisia no cumprimento, ajustes e acréscimos vitoriosos nos direitos dos trabalhadores, tudo é traduzido pelo valor de mercado. O maior peso na balança não é o operário, é o patrão. O mais importante é a mercadoria, não o trabalhador. Em que mundo estamos? Que pessoas estão a viver nesse mundo e a sustentá-lo?


Temos um homem empobrecido em seu trabalho, um ser humano reduzido ao cansaço e a um salário que nem o recompensa. Bem vindo ao “novo” mundo, em que o mercado abriu suas pernas, para a legalidade de tudo que esteja em favor do "bom negócio", para uma realidade triste e representativa que denominam como "democracia" e, por fim, para abraçar com força a tragédia das nações pobres esmagando-as, pelo trabalho exaustivo e pela contínua exploração.


(Autor: Luziel Costa Carvalho) - [Trecho]


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Meu Querubim

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Compreendo o amargo de teus olhos vermelhos,
e a barbaridade que assola tua vida.
Não deixe que destruam tuas chances,
que governem teu espírito,
ou que façam de seus sonhos,
pedras fincadas no caminho.

Não vou deixar que cortem tua voz,
deixando, minha bela dama, a soluçar em prantos.
Não deixe uma madrasta ufanista,
planejar o teu exílio,
pois, aqui ficarei a cantar meu amor por ti,
para ver um ogulho que me salta além do coração.

Se nenhum sinal de compaixão for dado,
Não ceda aos punhais, aos espinhos dos cactos,
dê um sorriso enganador e faz pulsar tua potência.
Faz a engrenagem funcionar e a tua terra produzir,
e teu cabelo loiro cegá-los na luz do teu sol.
Faz a tua voz trovar tua força e eles sentirem teus trovões.

Aponte o teu mundo e diga para onde quer seguir,
Faça os teus mapas, tuas rotas,
e tuas palavras fazê-los se curvarem de esperança.
E deixe o meu peito arder e rachar junto à tua alegria!
Não murmurará o teu coração para ir embora,
porque nenhuma foice atroz quebrará as tuas decisões.

Faça o mundo sentir os teus delírios!
Estremece os que se roem de inveja por tua vitória.
Deixe que o teu uivo de leoa seja feroz,
seja firme, seja intenso,
e faça os outros baixarem suas presas.
Pinte seus lábios e faça o bico que quiser!

Ornamente teu céu com todas as cores,
desacortina dos teus dias a melancolia.
Conte as estrelas e coloque uma ou quantas quiser a mais.
Veja que eles adormeceram e que você acordou,
enquanto isso, deixou seu perfume no ar,
e eles irão sentir o teu cheiro.

E o que tenho cá dentro de mim,
é o desejo guerreiro, que existe em tua alma,
são todas as dores calmas.
Todos os teus amigos te abraçarão,
E todos os suspiros se misturarão juntos!
Eu nunca irei ver coisa mais bela.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Psicodrama

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Quando tua alma se sentir vazia,
e a lama te invadir depois,
e teu corpo ficar neutro,
e endurecer-te para teu brilho,
fica com as pérolas que jogaste aos porcos.

Quando te imaginares imbecil,
não se torne,
nem que isso pareça te convir...
sujeitar-se a isto é cômodo,
mas é provar sua falta de freios morais.

Quando olhar em teu espelho,
Não sinta vazio,
descubra que você existe.
Se tiver coragem, olhe em teus próprios olhos,
porque apreciar os joelhos, já é a vida que você tem.

Não seja um perigo para si,
ou muito menos para os outros,
pois já são muitos os teus riscos.
Doa-dor? Cria-dor? Não, nada disso!
Vamos trair a dor!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Para o Trabalha-dor

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É o trabalhador que cumpre com o seu suor a punição pela corrupção política, é quem paga o conforto para os bandidos profissionais do ramo. É quem menos tem importância para projetos de igualdade social. O trabalhador, neste lugar inóspito, para os “imprestáveis”, principalmente, é quem com todo o resultado de seu labor, não consegue anular a desigualdade generalizada. É o único que tem o “dever” de suportar a falta de pão na mesa, a má educação, a saúde de péssima qualidade e o acesso precário aos serviços ofertados pelo Estado.

O trabalhador é tratado como um absurdo, uma aberração destinada ao sofrimento. Jogado aos montes nas senzalas de exploração das fábricas, indústrias e outras empresas. Do pequeno ao grande empresário, a lógica reproduzida é a de exploração, é tornar o “empregado”, a cada dia, um ser mais faminto. Enquanto isso, a “política” se dá ao luxo de possuir um caráter fragmentado - um mundo dividido em partidos e diversos interesses – além do "direito", de não ter uma razão coletiva e ainda exibir um rosto retardado para tudo que o proletariado necessita.

O verdadeiro trabalho não faria do homem um ser mecânico, ou tão somente um produtor de lucro; o sensibilizaria, fazendo-o reconhecer a sua importância para a construção social igualitária e não teria dicotomizado “patrão e empregado”. É impressionante como o trabalho se tornou algo tão “improdutivo” socialmente no mundo capitalista, o quanto ampliamos o status da mercadoria e reduzimos assustadoramente o valor do trabalho e do trabalhador. Este é o mundo onde não nos preocupamos com o destino do lixo, mas nos importamos com o destino das mercadorias, é um universo em que jogar o lixo dentro do cesto basta para que tudo se mantenha limpo, pouco importa o lugar onde irão acomodar as imundícies.

Em nossos dias se vive com uma “consciência” onde a profundidade das verdadeiras dificuldades é tratada como os detritos que vão para debaixo do tapete. É uma humanidade que se mobiliza inteiramente para assistir à Copa do Mundo, desligando a TV e a própria consciência para as tragédias arrastadas historicamente. Histórico pode ser um fato, que ocorre a cada quatro anos, mas o ser humano não tem essa natureza em si, perdeu seu senso e sua capacidade como ser histórico. Será? É o que o fatalismo universal quer nos inculcar. Reclama-se injustamente que não se tem tempo para as grandes causas, enquanto isso, os trabalhadores parecem construir sob a “mão da imposição” um mundo que não foi feito para eles. Nós não herdamos a escravidão, pelo menos é o que pondero, mas nestas condições históricas em que estamos, a nossa resistência à mudança e o medo de nos perdermos em um mundo diferente, é uma grande via para um retorno a este acontecimento; adquirimos um hábito social que reproduz essa relação.

Estamos livres sem a ciência da liberdade que possuímos? Ou não há liberdade e estamos acorrentados a uma conjuntura forte, em que somos incapazes de provocar sua ruptura? Creio que as margens desse rio, estão sendo mais violentas e repressoras do que suas correntezas, definindo sempre o trajeto delas. As elites não podem somente ter gotas de contestação social, elas precisam sentir nossas ações frustrarem as delas, precisam andar na mesma corda bamba em que nos colocaram.

O papel que representa nosso currículo, não pode ser mais importante que a cultura guardada em nós, superior ao desejo de melhoria das nossas condições de sobrevivência ou nos impor esta última; precisa sim, mostrar quem somos, e não somente funcionar como mola para ascensão de uma classe à outra, enquanto a maioria se esmaga nos corredores do desemprego e do trabalho exploratório.

Queremos um mundo onde as lutas produzam justiça social, queremos uma lei que esteja acima dos desejos do mercado e dos que possuem o cetro do poder. Aspiramos uma sociedade em que a harmonia social não seja uma mera idéia falsa, onde a voz do povo possa ser ouvida e a riqueza não seja mais um bem minoritário. Um mundo onde o trabalhador sinta-se parte essencial dele, recuperando suas relações harmônicas com ele sem depredá-lo. Queremos superar esse modelo hierárquico, pararmos de “pegar tapas”, e ao mesmo tempo, não sentirmos medo de darmos a cara para baterem ao desejarmos este novo mundo, conhecendo-o a cada dia para melhorá-lo, construindo uma razão coletiva capaz de respeitar a cultura, o trabalho e a ética dos homens e povos.

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Árvore sem vida

Posted by: Luziel / Category:

Corra para ver a minha árvore,
e nela sua serpente,
o que abomina o crente.
A víbora que te provocou o sexo,
e teu desejo de orgasmo que nunca tem fim.

No teu corpo há a tua própria víbora,
expelindo o veneno, tua morte, tua tentação.
E por qualquer razão cínica,
me acusa de ter comido o fruto do mal,
que também germina em ti.

Dentro de nós desfila uma meretriz,
e um mundo que só tende ao sexo.
E ao que me consta, todos gostam de um cabaré!
Todos entram na onda,
prostituem a vida, e não se acham tão fáceis.

Quão grande é o teu fogo,
mal sabe que ele te fará virar cinza.
E a serpente venenosa que há em ti?
Deixará ela, fazer tu te arrastares sob o teu próprio ventre?
Viveremos no ninho das cobras?

Do teu Éden exonerou-se para sofrer.
Para matar tua sede e tua tara,
essa ânsia que te domina a vida...
Cuidado, as cobras se picam,
e nem sempre, o seu veneno será o mais mortal.


(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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Aperto D'alma

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Gostaria de lhe dar meu coração,
e colocá-lo na sua mão para apertá-lo,
até explodir o sangue entre seus dedos.
É isto que sinto, cada vez que me faz sentir raiva,
Cada vez que me invade uma insensatez,
Cada vez que me despeço de ti com palavras mordazes.
Fazer isso é como me destruir,
é como me fazer um convite para andar em meu inferno.

Sentes o meu sangue pulsar?
Sabes para onde ele quer correr?
Eu sinto o gosto mais violento do paladar,
eu sinto minha boca sangrar,
e experimento, aquilo que não me pertencia.
Logo de minha boca! Que sempre saiu um vazio!
Me vi verter um diálogo em manchas de sofrimento,
e depois, presenciei
dois corpos se partirem ao meio.

Impulso, eu quero um para não cortar meus pulsos.
Me diga um dia em que deixei de te amar?
Por que hoje me inspirou o fetiche de ser um homem-bomba?
No presente se foi uma parte de mim,
logo irá outra, e em seguida, estarei aos pedaços...
E ao fim, com meu peito esquartejado,
o que vai sobrar de mim?
Sobrará esse resto que você nunca quis ver!

(Autor: Luziel Costa Carvalho)


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